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Palhaça Barrica: A Arte da Transformação Social

Palhaça Barrica: A Arte da Transformação Social

Foto: Rodrigo Scandolara

Referência na palhaçaria nacional, Michelle Silveira dá vida à Palhaça Barrica, que compila projetos artísticos e ações sociais

Natural de Santa Maria, Michelle Silveira chegou em Chapecó em 2007. A energia intensa e o perfil falante quase dificultam na diferenciação entre atriz e personagem. Palhaça Barrica é cheia de cores – o rosa predomina, contrastando com o vermelho da ponta do nariz. É mil em uma. Interpreta, ensina, edita, empreende. Para Michelle, a história está em constante movimento.

Pioneira na palhaçaria Chapecoense, Michelle fala do município com carinho: “Cheguei para trabalhar na Fundação Cultural, e hoje já me sinto Chapecoense”. Formada em Artes Cênicas, a artista atuou como diretora, foi atriz em espetáculos dramáticos e humorísticos, lecionou em universidades e ministrou oficinas voltadas a atores e palhaços.

Personagem reconhecida nacionalmente, Palhaça Barrica surgiu em meados de 2001, durante a graduação de Michelle: “O início do processo foi complicado, pois você deve entrar em contato com o seu lado ridículo. Foi doloroso, mas libertador, pois descobri que minha potência estava no meu corpo.”, conta. A certeza sobre a atuação na palhaçaria cresceu com a aceitação do público, amplamente receptivo: “Em 2009, fui convidada para participar pela primeira vez de um Encontro de Mulheres Palhaças no Rio de Janeiro, acontecimento que serviu de estopim para o reconhecimento oficial de sua carreira como palhaça.”.

Atualmente, Michelle gere e atua no projeto “Doutores RiSonhos”, voltado à humanização de relações entre equipe, acompanhantes e pacientes de hospitais públicos no município de Chapecó através de visitas interativas. Idealizado em parceria com Vinícius Bouckhardt – companheiro, palhaço e Coordenador do projeto – “Doutores RiSonhos” também oferece oficinas de formação em Palhaçaria. “O que nos move a continuar é o resultado que vemos. A figura do palhaço é muito importante, pois ele trabalha a humanização, tanto dos pacientes quanto da equipe. Recebemos um feedback direto sobre o quanto melhora a autoestima dos pacientes, eleva a imunidade e ajuda na aceitação do tratamento. Acalma a equipe e os familiares.”, relata Michelle. Hoje, o grupo conta com seis integrantes.

Palhaça Barrica: A Arte da Transformação Social

Foto: Rodrigo Scandolara

Culturalmente engajada, Michelle é editora da única revista voltada exclusivamente à palhaçaria feminina no mundo. Em sua 4ª edição, “Palhaçaria Feminina” é escrita em português e inglês por palhaças nacionais e internacionais, buscando inspirar e empoderar mulheres palhaças. “Temos muitas referências masculinas na palhaçaria, e a revista surge como um espaço para o registro das referências femininas que existem pelo mundo. É uma maneira de incentivar, criar oportunidades e referências para as mulheres palhaças. A história nos conta que muitas mulheres interpretavam personagens masculinos pela carência de espaços.”, relata a artista. Para Michelle, a palhaçaria feminina progride no Brasil: “São 24 festivais voltados à palhaçaria feminina no mundo, e aqui são realizados 14. SC, seguindo o caminho da Rede Nacional de Palhaças do Brasil, é o primeiro estado a montar uma rede de palhaças para articular artistas locais e regionais. Estamos nos movimentando, nos ajudando, criando círculos e oportunidades.”.

Integrante ativa do cenário sociocultural Chapecoense, Michelle passou a atuar como produtora dos próprios espetáculos a partir de 2011. A necessidade gera uma alta demanda de produções – produzir, vender, escrever, prestar conta de projetos, entre outras: “Muitas vezes é difícil equilibrar o lado artístico e criativo com o lado burocrático, mas aprendemos fazendo e, depois de diversas experiências, fomos nos familiarizando e incorporando mais essa função”, relata. Atualmente, Palhaça Barrica conta com dois espetáculos: “Barrica Poráguabaixo” e “O Segredo de Gisele”.

Visivelmente apaixonada pelo ofício, Michelle estabelece uma intensa relação entre a profissão e a linguagem: “Os palhaços falam com todos os públicos, idades e classes sociais. Me identifico com isso. Os projetos que realizo, além de viabilizarem recursos financeiros, estão sempre voltados para a comunidade de forma a contribuir para a melhoria de vida das pessoas. O que um projeto proporciona às pessoas é sempre tão valioso quanto o retorno financeiro que ele traz. Acho importante estar com as pessoas, junto delas, trabalhando com elas. O palhaço depende do público, é uma construção conjunta. O que me transforma também os transforma, e vice-versa.”, finaliza.

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