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Antonio Lorenzi: O Guardião da Chapecoense

Antonio Lorenzi: O Guardião da Chapecoense

Foto: Rodrigo Scandolara

Responsável pela manutenção da Arena Condá, Antonio Lorenzi assistiu ao crescimento da Chapecoense.

Carismático e com o semblante tranquilo, Antonio Lorenzi – ou “Chiquinho” – cruza a Arena Condá. Os anos de experiência o fazem parecer parte do campo, tamanha a familiaridade de ambos. Responsável pela manutenção da sede da Chapecoense, Chiquinho acompanhou o crescimento do time ao longo dos anos, colecionando um acervo de recordações.

A história começou em 1993, ano em que Chiquinho passou a tomar conta da manutenção da Arena Condá. Sem o aparato adequado, o trabalhador era o funcionário responsável por outros dez campos de futebol. Persistente, Chiquinho relata as dificuldades vivenciadas na época: “Eu não tinha equipamento, apenas um trator pequeno e minha máquina de cortar grama”, relembra.

Quando Chiquinho assumiu seu posto, a Chapecoense competia pela Série C: “Já era excelente para a época, ninguém imaginava o patamar atual”. Em 1995, o time ficava sob os cuidados de apenas 24 funcionários, que cumpriam todas as funções administrativas. O trabalho começava cedo, às 5h da manhã. Às vezes, o expediente se estendia: “Cheguei a voltar para casa às duas da manhã”.

Todas as manhãs, Chiquinho molhava o campo antes do nascer do sol. O funcionário também era o responsável pela manutenção antes dos jogos: “Era puxado, bem diferente”, conta. Desistir nunca fez parte de seu vocabulário – quando a água era escassa, Chiquinho contava com a ajuda do Corpo de Bombeiros municipal, que cedia o caminhão tanque.

Foto: Rodrigo Scandolara

Entre centenas de histórias, Chiquinho relembra o amigo “Pitico”. Abandonado em frente ao estádio, Pitico era um vira-lata brincalhão que foi acolhido pelos funcionários da Arena. Amigo fiel, o cachorro acompanhava tudo de perto: “Ele estava sempre comigo, era o mascote da Chape. Entrava nos escritórios, no vestiário, acompanhava a Chape. Depois da tragédia, ele sumiu, e eu nunca mais vi.”. Ao mencionar o trágico acidente envolvendo jogadores da Chapecoense em 2016, Chiquinho se emociona: “Um mês depois da tragédia ele voltou, era um Sábado à tarde, tinha jogo. Eu estava sozinho com ele, e ele começou a latir olhando para cima. Não tinha ninguém. Depois disso, ele saiu e nunca mais voltou.”.

O acidente não é uma pauta agradável. Sobre o assunto, Chiquinho é breve: “Foi sofrido e desgastante. Além do luto, tínhamos que atender as pessoas. Mexeu muito com a gente. Eles eram uma família.”. A proximidade com os jogadores torna o tema ainda mais emocionante: “Era um time muito unido, sempre junto com a gente”.

Torcedor de carteirinha, Chiquinho fala com orgulho da trajetória traçada ao lado da Chapecoense. Hoje, o funcionário responsável pela Arena Condá conta com o auxílio de outros dois colaboradores. “Sinto muito orgulho, pois vi a Chapecoense crescer. Lá de baixo, quando não tínhamos nada, até aqui, onde a Chapecoense conquistou fama nacional, disputando a Libertadores. Crescemos juntos.”, finaliza.

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